sábado, 5 de dezembro de 2009

It's Done

Foram 60 meses, 10 módulos, 300 lições em sala e outros 300 exercícios, que a duras penas foram feitos em casa, no trabalho, no elevador e durante cada valioso minuto de ociosidade que raramente surgia. Esta certamente vale uma menção para mim honrosa. Hoje concluí meu cursinho de Inglês. Yes, I do!

Muitos com razão perguntam, valeu a pena? E eu vos digo, sim, e como valeu. Hoje, enquanto apresentávamos nossa pequena monografia, percebi o quanto é útil o esforço que se emprega quando se faz algo que nos causa interesse. É incrível como as palavras fluem da boca como se fossem muito familiares. E cognitivamente, elas são, afinal foram meses e meses de expressions, phasal verbs, linking sounds e outros aspectos linguísticos sendo incutidos na cabeça.

É bem verdade que os últimos semestres não foram tão produtivos quanto os primeiros. O aperto na rotina do trabalho, e a necessidade de conciliar o curso com os últimos anos da faculdade me causaram uma perda natural de desempenho. Mas nada que tenha me impedido de aprender mais um pouco. Não me atreveria a me intitular um billíngue, mas é bem legal poder virar a cabeça durante um filme legendado e contunuar entendendo o que os atores estão falando. É muito útil abrir o New York Times e ler em primeira mão as notícias do dia.

Pontos negativos. Afinal, o que se passa na cabeça do Sr. Wizard ao adotar aqueles temas sem noção para os exercícios? Em bom inglês: this much it was a sack!

Foi boa a convivência com os colegas, conheci muita gente boa lá. Sinceramente, espero de mim muita coragem, e acima de tudo, paciência para tentar aprender outra língua. Afinal, estes dias estive na Bolívia, tentei usar meu espanhol do 2o. grau, mas só saía inglês.

So long!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Recife: sete anos depois


Lembro-me que estive aqui em setembro de 2002, e um mês depois, uma segunda viagem me trouxe de volta. Duas vindas ao Recife em pouco mais de um mês. E eu enfim fui apresentado ao mar. O deslumbre foi imediato, como era de se imaginar. Achei a cidade o máximo. Era formidável, a arte e a beleza da cultura pernambucana chamaram minha atenção. Tive a impressão de estar conhecendo os cidadãos mais alegres do Brasil. Me lembro que na segunda vez que cheguei, o Lula estava dando uma coletiva para imprensa, horas depois de ter sido confirmada a sua vitória na eleição para Presidente. Sete anos se foram, e agora que estou de volta, revejo Recife com outros olhos. De lá para cá, já devo ter rodado meio mundo nessas andanças por ai, o que me fez ver o que de bom e ruim existe nas grandes cidades. Junte-se a isso meu recente desânimo natural para aventuras, coisa de quem está ficando velho, e o que temos? Uma visão já não tão romântica do Nordeste. Na verdade, confesso que nos últimos anos o que mais tenho preferido é minha casinha aí no Acre. Daqui mesmo, o que me deixa cheio de inveja é essa brisa deliciosa do mar. Isso sim, eu levaria para o Norte se assim pudesse. Amanhã eu volto.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Trabalho e Alienação

Escrevi isso para um exame da universidade:

O marco inicial do modo capitalista de produção é apontado pelos historiadores como sendo a Idade Média (séculos XI a XV), quando ocorrem os primeiros êxodos populacionais na Europa, que se deslocavam dos seus feudos para as primeiras cidades que surgiam. Localiza-se aí, neste momento histórico, marcado por um processo lento e gradual, o início da grande jornada da sociedade contemporânea em busca da sua tão desejada felicidade. Apesar de sua longínqua história, ainda hoje o capitalismo se apresenta diante da maioria esmagadora das nações como sendo o sistema político e econômico mais frequente. Talvez esteja aí a razão para que o mundo como um todo compreenda simultaneamente o sentimento de aflição e faça uso da linguagem universal do protesto para se insurgir contra as arbitrariedades de um sistema que condiciona e aprisiona o cidadão, restringindo seus sonhos e aspirações em nome de um mecanismo que sempre clama por mais lucro no menor tempo possível e com o mínimo de custos.
Traçando o primeiro paralelo entre a literatura de Huberman e a obra de Chaplin, podemos notar que, apesar das décadas que separam os primeiros anos da produção fabril nos moldes da linha de produção, várias são as semelhanças guardadas entre os dias atuais e os primórdios da maquinaria. Ainda hoje, a sociedade se debate com uma luta constante e turbulenta contra os métodos aplicados pelo capitalismo, assim como ocorria com os primeiros movimentos grevistas na Inglaterra.
No Brasil, as décadas de 70 e 80 marcaram o nascimento do movimento sindicalista nacional e expôs o latente conflito de classes existente na época. A exemplo do que ocorria na Europa dos anos 30, aqui os movimentos “de chão de fábrica” também encontraram uma forte repressão por parte do Estado e dos órgãos de segurança.
Apesar de encontrarmos nos dias atuais um cenário infinitamente mais humanitário se comparado aos anos da revolução industrial britânica do século XIX, podemos verificar um altíssimo e preocupante grau de alienação do trabalhador moderno em relação ao seu trabalho. Se por um lado, os livros fazem relatos impressionantes de cargas horárias quase infindáveis, que mantinham reclusos nas insalubres fábricas várias crianças e mulheres durante 14 ou 16 horas ininterruptas, por outro lado, sabemos que até hoje, vários cidadãos das grandes cidades sofrem com a deficiência do sistema de transporte coletivo e são obrigadas a se espremerem em estreitos e incômodos vagões de trens, perfazendo percursos diários de dezenas de quilômetros entre suas cidades e os grandes centros urbanos, o que muitas vezes lhes privam de um período mínimo descanso ou de uma merecida e tranqüila noite de sono. Em suma, são formas diferentes para o mesmo tipo de atrocidade.
Com o advento da revolução tecnológica e da automação, acompanhada mais recentemente do surgimento do paradigma da informação como elemento estratégico de domínio de mercado, a sociedade criou novas formas de ocupar seu tempo, novas necessidades de consumo, e o sistema capitalista suas novas formas de alienar e de cercear a liberdade humana. Nota-se, que apesar da contínua tendência de facilitação das atividades mais corriqueiras do dia-a-dia, o esforço humano não deixou se ser maçante, mas apenas modificou suas características básicas. Claramente, hoje a força braçal cedeu boa parte seu espaço para o esforço intelectual, exigindo cada vez mais das pessoas que desejam ser bem sucedidas perante a sociedade. A famigerada luta pela sobrevivência e a supremacia do mais forte, eternizada nos estudos de Darwin, permanece mais viva do que nunca, sem porém exigir qualquer embate físico de seus participantes. A acirrada disputa e a competitividade inclemente vivenciadas nos escritórios das grandes companhias tornam-se muitas vezes os elementos motivadores prioritários das vidas dos executivos. Assim, o sonho da satisfação e da realização pessoal acaba condicionado tão somente ao ímpeto de ganhar mais, de produzir mais e de chegar primeiro, como pudemos ver na personagem de Adam Sandler, no filme Click. Enquanto isso, os princípios elementares de zelo e amor ao próximo vão sendo lentamente deixados de lado, sem que o homem pare para observar o seu meio e usufrua inclusive da riqueza gerada por seu próprio esforço, deixando de valorizar os bens mais preciosos como sua família, seu círculo de amizades e sua saúde.
Ainda de forma acanhada, mas já presentes, nos últimos anos, fortes correntes de pensamentos têm surgido no meio empresarial e da psicologia comportamental para reforçar a idéia de que o trabalho dignifica o homem, mas que só passa a ter um verdadeiro sentido a partir do momento em que se estabelecem limites que impeçam que ele se converta em ganância, prevalecendo sempre o ser humano.
Assim, resta a esperança de que a sociedade como um agregado homogêneo e coeso de pensamentos, crenças e culturas, repense seus valores e caminhe para uma franca melhora nas suas relações de convivência, de auto-valorização e de respeito mutuo, incentivando o florescimento de um mundo mais justo e digno de se viver.

sábado, 12 de setembro de 2009

Dia especial

Esperei um bocado por esse parabéns. Meu amorzinho apaga velinhas hoje, e eu não vejo a hora de tomá-la em meus braços e dizer o quanto ela me faz bem. Ela costuma me dizer que eu entrei na vida dela sorrateiro. Já para mim, ela chegou fazendo rebuliço. Mas não consigo ficar longe dela. Parabéns, meu amor. Vida longa e muita felicidade a você. E espero que sempre ao meu lado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Morreu na contramão, atrapalhando o trânsito

A criatividade rareou, a paciência para escrever nem se fala. Está sumindo juntos com meus cabelos. Mas às vezes acontecem umas coisas que obrigam a gente a sair do anonimato.
Afinal de contas, qual a grande lógica que rege os acontecimentos dessa vida?
Vejam só que coisa. Hoje à tarde, chego em casa, depois de encarar um temporal daqueles. A cidade estava revirada e alguns minutos antes, um amigo já havia me avisado que o vento havia destelhado o Aeroporto. Mal saio do carro e a mãe começa a contar. Um rapaz havia acabado de ser eletrocutado duas esquinas a frente. As circunstâncias? Um cabo da rede elétrica partiu com o vento e caiu bem em cima da bicicleta barra circular de um honesto cidadão que voltava do trabalho e que estava a não mais que 50 metros da cancela da frente de sua casa. A lógica disso? Não há.
Os físicos e matemáticos costumam falar da contrariedade entre o determinismo e a casualidade. O primeiro afirma que tudo que ocorre neste mundo tem uma razão, e cada detalhe que o antecede é um complemento do outro, formando juntos uma espécie de conspiração para que um evento se concretize. No segundo, não existe relação de causa e efeito, tudo ocorre ao mero acaso.
Por um ou por outro, não poderia deixar de expressar, bem ao estilo "voz do povo", a minha inquietação diante de fatos tão fortuitos.
Como diria o vizinho, ou minha avó, ou o padeiro que viu a cena de camarote: com tanta gente ruim nesse mundo, por que coisas desse tipo insistem em acontecer com quem claramente não merece? Por que o bispo Edir Macedo da Universal, o José Sarney e os senadores que o absolveram ou a Suzane Von Richtofen nunca levam nem um choque de 20V no dedinho mindinho?
Ok, ok! Há de existir uma divina providência, e eu esperarei por ela.
Até lá, que a alma de mais este cidadão resida em paz num mundo mais justo que o nosso, e que sua família encontre o consolo devido na paz do Senhor. Amém!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael

Só agora que já se passaram duas semanas desde que recebi aquela pitoresca ligação de um amigo, me perguntando se eu estava pronto para a surpresa que ele tinha pra dar; depois que o mundo foi, como era de se esperar, bombardeado com uma campanha maçante de superpromoção da imagem de um astro pop; e depois de assistirmos surpresos e confusos a um funeral que mal podia ser distinguido de um espetáculo high-tech, acho que agora posso tentar ponderar algo sobre esta figura que foi Michael Jackson. Lógico, tudo na minha irrelevante opinião.

Primeiro, não há muito o que se contestar ao afirmarmos, com certo tom de redundância, que Jackson foi um ícone pop, daqueles que um certo dia surgem em nossas vidas, dotado de um especial talento para fazer o convencional se tornar algo completamente novo. Sua música marcou mentes e corpos e corações, e fez a indústria audio-visual rever seus conceitos, ao praticamente inventar o video-clipe nos moldes que conhecemos hoje, ou seja, como ferramenta indispensável de fusão da música de trabalho do artista com a sua imagem. E nesse gap, claro, a dança! Algo que realmente distoa daquilo que se conhecia até então. Tudo bem, não vamos confundir. Gênios já haviam antes, como Gene Kelly, Fred Astaire, e por aí vai. A diferença foi que Michael tornou extremamente pop a maneira performática de dançar. Tocar as partes íntimas de maneira insinuante e, por que não, imoral para nossos pais, se tornou seu jeito característico, de modo que ele era aquilo e pronto. Não havia Michael Jackson sem dança. E a dança era outra com Michael.
Resumindo, até o alvorecer dos anos 90, (e repito, é uma opinião minha) Jackson é um clássico, sua música e sua imagem marcaram época, e ponto.

Masss. Aí entra o lado paradoxal da história. A indústria da cultura de massa cria suas formas de veicular seus deuses, e eles por vezes atingem um nível tal de penetração em nossas vidas, que ultrapassam as fronteiras da sanidade. Michael não se achava deus, ele tinha certeza disso. Cargas de um histórico familiar complicado, num determinado ponto de sua trajetória de vida, ele deixou que escapulissem de suas mãos, já em luvas de pelica, as faculdades mentais que lhe restaram. Já não era mais gente, não respirava o ar dos mortais, não tinha pele, tinha uma fina película que mal podia ser exposta ao tempo.
Suas divagações pueris de quem via Peter Pan como exemplo fizeram com que, aos poucos, ele deixasse as páginas da música e passasse para a coluna das bizarrices. É neste momento que deixo de levar Michael a sério como artista. Não tinha equilíbrio para ser um formador de opinião. Causava medo, não empolgação.

Sobre o funeral de hoje, só uma colocação. Como disse, a cultura de massa induz as nossas mentes a conclusões muitas vezes distorcidas. Talvez seja difícil de enxergar a estas alturas, afinal estamos há duas semanas vendo tudo pelo prisma do show bizz. Mas pensemos. Jackson era só uma pessoa que, como Nero, Calígula e tantos outros que tiveram o cetro do poder absoluto na mão, definharam diante da impossibilidade de lidar com este poder. Sua morte, tratada em pé de igualdade com um espetáculo para multidões, para mim é algo tão bizarro quanto a própria vida recente, do que poderíamos facilmente concluir: seu funeral esteve à altura de sua trajetória. Não vejam como normal o fato de as pessoas na porta do Staples Center agirem como se estivessem entrando em um show do U2. Não vejam como comum um artista black contracenando com um caixão colocado em um palco. Isso é trash, muuuuito trash!

domingo, 31 de maio de 2009

Nulo

Novos mundos, novos desafios. Imagino que assim se sentiram os primeiros navegadores da história. Nos últimos meses, me vi rodeado destes novos cenários e destas novas situações que vêm exigindo de mim um pouco mais do que eu sempre fui. E agora eis-me aqui, me sentindo um trouxa, encurralado, assistindo à fraqueza da minha falta de potencial. Não sei se consigo segurar a peteca a contento, só sei que tremo de medo de ver meu lindo castelo de cartas desmoronando. Deus sabe a apreensão que tenho vivido.
Senhor, apesar de toda a gratidão que tenho pelas alegrias que tem me proporcionado, me dou à audácia de reivindicar. Por que não me deste um pouquinho mais de espírito decisivo nesta vida? Tira de mim este sentimento de inércia. Ruim demais a sensação de ser nulo.