segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tinta fresca

As casas desse lugar

Se lembrarão

Do nosso abraço, da sombra insólita

Espelho azul no chão

Skank

O verso acima me ajuda a expressar um dos dons que considero mais incríveis: a capacidade de guardar na memória aquilo que ficou de bom. Remexo alguns itens de um passado bem recente e percebo quanta coisa legal foi construída, quanta coisa ímpar ficou escrita e estampada, não apenas para nossa intimidade, mas aos olhos de todos que testemunharam. Só isto já paga o ingresso! Não se trata de julgar em termos de "bom" ou "ruim". Isto é vago demais para definir. Bom mesmo é usar aquilo que ficou como algo que não te subtrai, mas sim que te acrescenta e te engrandece, seja em vivência e maturidade, seja em capacidade de entender ao próximo. Cara, quantos outros versos do cancioneiro, que antes até um tanto brega me pareciam, hoje se revelam tão clarividentes, tão lúcidos! Pobre de mim, que não tinha passado por este caminho antes e achava que sabia tudo. Mais vale a jornada por entre a tormenta do que a vazia sensação de jamais ter vivido a grande aventura de conhecer ao amor.

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Frejat

O verso acima me ajuda a expressar outro dom espetacular com o qual nós humanos fomos presenteados: a capacidade de se reconstruir. Algumas demãos de tinta fresca, e um novo universo se abre.

0 comentários: