sábado, 24 de setembro de 2011
Uma breve história do tempo
Nem bem esfriavam os últimos fogos do início daquele 2009, quando tivemos a chance de estarmos a sós pela primeira vez. Embora só viéssemos a oficializar nosso namoro coisa de um mês depois, resolvemos que tudo seria mais simbólico se considerássemos aquele 1º de Janeiro com o marco zero de nossa história juntos. Começava ali a grande jornada de minha vida até então.
Foram dias fantásticos, um ano incrível. Voltei a ver meu Flamengo ser campeão e fui coroado com o direito de me sentir completo. Tantos momentos juntos, uma necessidade enorme de ser ver e de compartilhar tudo era novo. O convívio e as decisões estavam dentro do mais perfeito equilíbrio. Minha fama de "bloco do eu sozinho" foi-se pelo ralo, à medida que eu percebia que merecia ser feliz. Aquela foi a era da luzes.
Mas as nuvens começaram a escurecer e os primeiros conflitos passaram a surgir. Natural para qualquer casal, mas ainda assim a cada fim de crise, um novo recomeço que se erguia com novas promessas de que tudo ficaria bem. Neste meio termo, vieram meus problemas financeiros, pois havia acabado de perder meu cargo no emprego. Nossa luta foi grande neste período; os problemas familiares abalavam fortemente nossa relação. Mas juntos fomos maiores, e nossa racionalidade e vontade de estarmos juntos foram decisivos. Encontramos um novo oásis, e novamente a paz imperou. Foi a era da compreensão.
Foram várias viagens pelos mais diversos lugares, grandes momentos juntos, nos metemos em várias confusões, pagamos um monte de micos. Até brigamos um monte. Mas valeu cada minuto. Foi a era das grandes expedições.
Enfim, resolvemos que era hora de consolidar tudo isso em algo mais sólido. Ficamos noivos, iniciamos os trâmites para a aquisição de uma casa só nossa. Meses se passaram até concluirmos esta fase. Mas começou a chover forte em nosso jardim, e um clima de desânimo e de desinteresse se instalou. Me senti posto de canto, relegado à própria sorte. Foi quando imperou a frieza e o início daquela era glacial estava decretado. Nossas rosas murcharam, nossos planos, que logo percebi serem apenas meus, foram refutados a lixo.
E enquanto Elton John cantava docemente a sua "Tiny Dancer" no palco do Rock in Rio, restou-me apenas o direito de lamentar naquela noite chuvosa as dores de uma perda que em dor só se compara à morte de um ente querido. Iniciou-se a era das trevas.
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